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Friday, May 9, 2008

Adeus, Maestro.


Está a chegar o dia da despedida... Como em tudo na vida, existe um fim, para o início de algo novo. No domingo, será um dia de festa e, ao mesmo tempo, de nostalgia e tristeza para mim e para muitos milhões de benfiquistas. É o fim da carreira, como jogador, de um dos melhores jogadores mundiais desta geração e de um benfiquista de corpo e alma. Lembro-me de o ver ao vivo no Estádio Nacional na final da Taça de Portugal de 92/93 – que vencemos – e alguns jogos da época 93/94, quando se sagrou campeão nacional. Lembro-me, depois, da sua saída do Benfica para Itália, primeiro para Florença e mais tarde para Milão. Recordo-me, durante estes 12 anos de ausência, de algumas tentativas de regresso, ou supostas noticias sobre o seu regresso. Lembro-me do jogo de apresentação do Benfica aos sócios, em plena Luz, contra a Fiorentina, no qual marcou um golo ao seu Benfica. Nos instantes seguintes, chorou como uma criança e o estádio aplaudia de pé, pela primeira vez, um jogador adversário. Não esqueço a alegria nos seus olhos de cada vez que o Rui falava no Benfica. Posso mesmo dizer que, nessa altura, apesar da distância física, continuava tão perto no coração de milhões de benfiquistas.
Recordo, mais recentemente, o seu regresso ao Benfica, onde uma centena de adeptos o esperava aquando da sua subida ao relvado da Luz. Posso dizer que estive lá. Não por ser uma grande contratação do Benfica, que o era, mas por ser o Rui Costa. Nunca tinha ido a apresentação de nenhum jogador até porque nem sou dessas coisas, mas aquele não era um jogador qualquer, não era mais um jogador. Naquele momento, estava de regresso um símbolo do Benfica, um jogador de classe invulgar que ama o clube. Regressava uma das últimas grandes referências do Benfica.
Ainda tenho presente na memória a sua cara de frustração no último jogo, na Reboleira. E são tantas as minhas memórias das coisas geniais deste Senhor do Futebol.
Só tenho mais um desejo: que os Benfiquistas esqueçam o percurso desta época, uma das piores dos últimos anos, e marquem presença no Estádio da Luz para a despedida do Maestro. Se há alguém que merece, esse alguém é o Rui.


Eu vou lá estar e, a plenos pulmões, vou gritar:

SOU BENFIQUISTA
COM MUITO ORGULHO
E MUITO AMOR


OBRIGADO, RUI!
Ficarás para sempre na nossa memória e nos nossos corações (pelo menos no meu)




Wednesday, May 7, 2008

Fim da linha

Todos sabemos que as coisas não andam bem para os lados da Luz, mas todos sabemos que a febre benfiquista não cede ao mau ambiente, aos maus resultados, à má gestão da Direcção encarnada. Para mais, o próximo jogo na Luz é também o último jogo da carreira do Maestro.

O menino que nos deixou na época 93/94 regressou há um ano e ainda jogou duas épocas ao mais alto nível. Ofereceu-nos momentos de grande qualidade, comandou a equipa e mostrou que é, de facto, um símbolo do Benfica a lembrar e relembrar. No domingo, estará, como todos os benfiquistas, com o coração apertado. Calculo que, para um futebolista, a decisão de "pendurar as chuteiras" seja a mais difícil de tomar, mas, à sua espera, encontrará um clube de braços abertos para o receber na estrutura da Direcção. A emoção vai estar ao rubro e não duvido de que algumas lágrimas rolem... É um ciclo que se fecha e outro que começa. A partir de dia 12 de Maio, Rui Costa, o Maestro, será Rui Costa, o director técnico.

Apelo aos benfiquistas que vão ao Estádio. Esqueçam tudo o que se passou e prestem uma homenagem merecida ao nosso 10. É um misto de adeus e até já!

PS - Aconselho todos os benfiquistas a lerem o texto "Daqui a 20 anos", na Tertúlia Benfiquista.

Obrigada, Rui Costa!

Wednesday, October 10, 2007

Um senhor

No Futebol, temos todo o tipo de jogadores. Há os que deviam ter seguido outra profissão, há os jogadores medianos, há os bons jogadores e depois entramos num patamar diferente...
Aí, nesse patamar, estão os grandes jogadores, os prodígios - mais acima - e, no topo, atingivel apenas para um punhado deles, estão os senhores - os cavalheiros do futebol.
Para ilustrar esta minha muito pessoal distribuição, dou alguns exemplos: Figo ou Roberto Carlos, Xavi ou Giggs, Beckembauer ou Platini, entre outros, são ou foram grandes jogadores - decidem jogos com lances arrancados do nada, jogam e fazem jogar, e carregam equipas às costas, muitas vezes sem que os próprios adeptos percebam; são aqueles jogadores que , mesmo não estando a jogar nada, não devem nunca ser substituidos porque de um momento para o outro...
Depois temos os prodígios. Estes já são muito menos: Pelé, Maradona, Messi, Ronaldinho, Johan Cruijff, Garrincha, Zidane. Mais uns dois ou três. E será necessário descrevê-los!? Alguém acredita que não nasceram logo com uma bola!? Dos pés deles não sai futebol, sai magia pura...A bola é uma extensão dos seus corpos e fazem-nos sonhar a cada toque ou "dribble". Lembram-nos a cada instante como é lindo o Futebol!
Finalmente, temos os senhores, e estes são tão poucos... São jogadores geniais que mantêm um espirito e uma atitude humildes, que procuram ser grandes homens tanto ou mais como são grandes jogadores e que respeitam a nobre arte do Futebol em toda a sua extensão. Nas mãos destes, o Jogo jamais será desvirtuado e a paixão será sempre o seu motor. Cito alguns porque não há muitos: Eusébio, Mário Coluna, Lev Yashine, Di Stefano, Paolo Maldini, mas hoje venho aqui para mencionar um em particular....O senhor Rui Costa.
Tenho quase 28 anos e por isso lembro-me bem de o ver sair da Luz no fim da época 93-94, ainda menino (eu e ele, eu mais do que ele). Lembro-me bem de o ver chorar quando marcou um golo ao nosso e ao seu Benfica, no Estádio da Luz, ao serviço da Fiorentina e poucas vezes, se alguma, me arrepiei tanto com um momento no Futebol, como naquela situação. Também eu tive vontade de chorar por ver alguém tão grande vestir e sentir o emblema da águia. Vi-o regressar no ano passado e vejo-o hoje em todo o seu esplendor como jogador e como homem. Qualquer adepto de qualquer clube nacional percebe e admite que é um jogador à parte, pela genialidade, pela humildade, pela seriedade e pela elegância.
Tal como nos tempos idos da década de 60, quando Eusébio tratava José Águas e Mário Coluna, "O Monstro Sagrado", por senhores, também agora o "maestro" fez há muito por merecer que o tratem por senhor Rui Costa.